11. CULTURA 12.12.12

1. LIVROS - RECEITA PARA VIVER BEM
2. LIVROS - AS CONFISSES DE ROD STEWART
3. TEATRO - SHREK NO BRASIL
4. CINEMA - O HOBBIT: COMO SE INICIOU A SAGA O SENHOR DOS ANIS
5. EM CARTAZ  SHOW - UMA DIVA EM EVOLUO
6. EM CARTAZ  LIVROS - ANOS DE CHUMBO NO RECIFE
7. EM CARTAZ  DVD - CLSSICO NATALINO
8. EM CARTAZ  CINEMA - O COZINHO DO GNGSTER
9. EM CARTAZ  MSICA - NAO BEN JOR
10. EM CARTAZ  AGENDA - ESTA CRIANA/PETER WATKINS/DESTINO SO PAULO
11. ARTES VISUAIS - MORANDI ILUMINADO

1. LIVROS - RECEITA PARA VIVER BEM
Com dois livros lanados, a srie "Morar Bem no Brasil" registra o trao tropical na decorao e no paisagismo por meio do trabalho de profissionais consagrados em cada uma dessas reas 
Marcos Diego Nogueira

Uma coleo para documentar e revelar ao mundo os traos tipicamente brasileiros na arquitetura, na decorao, no paisagismo e no design de mveis  o objetivo do diretor editorial Ricardo van Steen ao idealizar a publicao Morar Bem no Brasil, que tem seus dois primeiros volumes lanados pela TEMPO Design e Contedo. Para ilustrar cada um desses campos, o trabalho de um criador consagrado 
 esmiuado e comentado por outros profissionais. O primeiro volume, Essncia do Conforto, traz ambientes assinados pelo arquiteto paulista Dado Castello Branco. Os captulos tecem consideraes feitas por algum especialista que de certa forma tenha relao com o trabalho do artista enfocado, caso da empresria e consultora de moda Costanza Pascolato, autora do texto Os princpios da essencial e indispensvel simplicidade, e do jornalista e colunista social Cesar Giobbi, que assina Um bom olho para a arte diz muito sobre um arquiteto. Dado Castello Branco representa o que h de mais essencial nesse territrio da decorao, diz Van Steen. Ele trabalha com o mnimo de elementos, sem perder a ideia do conforto e do lugar gostoso. No cai na ditadura de esvaziar tudo para deixar mais bonito o ambiente.

No segundo volume, chamado Degustao de Paisagens, o paisagista paulista Gilberto Elkis passa a limpo 23 anos de profisso registrados pelas lentes de seu irmo, Renato Elkis. Os textos ficaram a cargo do sommelier Manoel Beato. Fizemos uma analogia com o vinho. Comeamos no Velho Mundo para, em seguida, caminhar em direo  colnia, at as fazendas de caf, quando se assiste a uma introduo tropical no paisagismo, diz Elkis. Segundo Van Steen, que tambm  cineasta e publicitrio, tanto Elkis quanto Beato conseguem falar com clareza sobre suas reas de trabalho, o que torna os livros at certo ponto didticos. Aos brasileiros, a coleo pretende fornecer ideias fceis de serem executadas em casa. Para estrangeiros, a edio bilngue mostra ao mundo o que o Pas pode oferecer nessa rea. Segue a receita de Castello Branco: Temos um estilo informal, de ambientes mais abertos, ligados ao verde. A opinio  compartilhada por Elkis: Por ser tropical, o Brasil tem uma exuberncia que possibilita vasta gama de composies paisagsticas.


2. LIVROS - AS CONFISSES DE ROD STEWART
Aos 67 anos, o roqueiro ingls revela em autobiografia a sua paixo por uma atriz brasileira lsbica, o seu vcio em cocana e o encontro com uma filha que lhe era desconhecida
Marcos Diego Nogueira

 FRANQUEZA - Ao contrrio de outros roqueiros, Stewart no evitou temas delicados em seu livro

Perde-se a conta do nmero de relatos pessoais escritos recentemente por cantores pop nos EUA e na Inglaterra. Nenhum deles, no entanto, vem sendo to comentado como o livro do roqueiro Rod Stewart. Intitulada simplesmente Rod: The Autobiograph, a obra vai mais longe que a maioria dos livros do gnero. No se trata apenas de um passo a passo da infncia at os tempos atuais contando os bastidores de turns e processos criativos. As memrias de Stewart, que tero traduo brasileira at o fim do ms, diferenciam-se pela franqueza com que ele aborda assuntos polmicos como o uso de drogas ou corriqueiros como a sua vida ntima. Sabe-se que a gerao  qual pertence o cantor, hoje com 67 anos, usou e abusou de entorpecentes. Stewart no fica apenas na enumerao dos estimulantes ilegais que tomava. Conta detalhes quase tcnicos de como se drogava, o que se tornou um prato cheio para os tabloides britnicos  usava cocana, por exemplo, por meio de supositrios. Durante a sua passagem pelo Brasil para se apresentar no Rock in Rio em 1985, Stewart provou que o seu consumo de cocana no tinha limites e no o levou a uma overdose por pura sorte. Foi um dos festivais mais maravilhosamente organizados e extravagantemente selvagens em que toquei na vida, diz ele. Depois da minha performance, para umas 200 mil pessoas, encontrei Belinda Carlisle, do grupo The Go Gos, e fizemos uma aposta de que banda cheirava mais cocana. Ns perdemos de lavada.
 
Esse mesmo ano de 1985 foi um divisor de guas em sua vida familiar. Stewart sabia da existncia de uma filha desconhecida, chamada Sarah, hoje com 49 anos, mas ainda no estava preparado para assumir a sua paternidade. No encontro que teve com ela, trs anos antes, sua me adotiva levou um reprter: Esse primeiro contato foi muito frio, por causa da presena da imprensa. Fiquei muito revoltado. Sarah  fruto do relacionamento de Stewart com a namorada Susannah Boffey  ambos tinham na poca 18 anos. O relato da deciso conjunta de ter o beb e deix-lo para adoo  um dos pontos altos do livro: Fiquei sabendo que era uma garota, mas no quis v-la, com medo do que eu sentiria. Assinei os papis da adoo e voltei para casa a p, na noite fria, com a certeza de que essa histria havia terminado na minha vida. Hoje em dia, pai e filha tm uma boa relao.

Antes desse episdio, Stewart viveu uma experincia digna do filme A Primeira Noite de um Homem. Assim ele relata na autobiografia: Perdi minha virgindade com uma mulher mais velha (e maior) em 1961, durante um festival de jazz que fui assistir. Era o local onde pegvamos cerveja e ela chegou de forma muito bruta. O quanto mais velha era ela? No sei dizer. Velha o suficiente para ficar desapontada com a brevidade digna de um piscar de olhos da experincia. Elementos desse encontro, um pouco alterados, tempos depois fizeram parte da msica Maggie May, um de seus maiores sucessos.
 
Com mais de 150 milhes de discos vendidos, o roqueiro toca em outro ponto delicado de sua carreira. Ele assume, sem grandes problemas, que plagiara Jorge Ben Jor, o que o obrigou a atribuir ao msico carioca a coautoria do seu sucesso Da Ya Think Im Sexy. Passei o Carnaval de 1978 com Elton John e Freddie Mercury no Rio de Janeiro, conta no livro, citando dois acontecimentos significantes. Primeiro foi que me apaixonei por uma estrela de cinema brasileira lsbica. O outro foi que em todo lugar tocava Taj Mahal, de Jorge Ben, e aquela melodia, inconscientemente, ficou na minha cabea, e transformou-se em Da Ya Think Im Sexy. Plgio inconsciente, apenas. Apesar do clima de confisso permanente, Stewart se deu o direito de preservar algo em sua autobiografia: o nome da tal atriz brasileira por quem caiu de amores naquela poca.


3. TEATRO - SHREK NO BRASIL
Sucesso na Broadway, o musical "Shrek" estreia no Pas em verso adaptada, mas com os mesmos nmeros de superproduo
Wilson Aquino

 REINO DISTANTE - Furquaad, Fiona, Shrek e o Burro: uso de 120 figurinos e 80 perucas
 
A histria do ogro verde que conquista o amor de uma princesa  e encanta crianas e adultos do mundo inteiro  chega ao Brasil com status de superproduo no valor de R$10 milhes. Shrek  O Musical, um dos mais aclamados espetculos dos ltimos anos, consagrado na Broadway e que faz sucesso por onde passa, estreia na sexta-feira 14, no Teatro Joo Caetano, no Rio de Janeiro. E com verso bem nacional. O musical s no  100% brasileiro porque a histria veio de fora, diz o diretor Diego Ramiro. Ele explica que existem dois formatos possveis para se montar o musical fora da Broadway: o de franquia, quando tudo vem pronto, e o de livre criao, que foi o escolhido nessa adaptao: tudo est sendo criado aqui.
 
Com uma equipe de 200 pessoas, orquestra com 14 msicos, levitao e um boneco drago de oito metros e 30 quilos que voa, cospe fumaa e necessita de cinco tcnicos para funcionar, a produo impressiona. O espetculo  baseado no enredo do primeiro filme de Shrek, que mostra a libertao da princesa Fiona (Sara Sarres)  ela vivia aprisionada numa torre desde criana. Alguns detalhes, no entanto, so diferentes do desenho animado.Um exemplo  a histria de Lorde Farquaad (Marcel Octavio), o reizinho narciso. No cinema, no se sabe por que ele  ano, mas no teatro a gente conta a sua origem, de quem ele  filho, diz Ramiro. Entre os efeitos visuais, a cena de levitao tem, literalmente, um toque mgico. Foi concebida pelo ilusionista mais prestigiado do Brasil, Issao Imamura, e acontece quando Fiona precisa decidir se volta  sua forma humana ou permanece como ogra. No tem cabo, nada.  um sistema de levitao que eu no posso revelar, porque seno os mgicos vo me matar, diz o diretor.

O requinte visual, garantido por 120 figurinos, 80 perucas, 100 pares de sapatos e mais de 500 metros de tecidos, tem o seu ponto alto na maquiagem dos atores.
 
Para transformar o ator Diego Luri em Shrek so  necessrias quatro horas somente para colocar a mscara. Desfazer-se dela leva mais uma hora. A censura  livre, mas, segundo Ramiro, os pais no ficaro entediados. Enquanto as crianas se divertem com o ogro verde, a princesa e outras criaturas encantadas, os adultos podem se entreter com piadas um pouco maiscidas, que somente eles vo entender. Trata-se de uma frmula que deu certo nos filmes e se repete nos palcos.


4. CINEMA - O HOBBIT: COMO SE INICIOU A SAGA O SENHOR DOS ANIS
Dirigido por Peter Jackson, o cineasta que mais revolucionou o cinema nos ltimos tempos, "O Hobbit" retoma o universo fantstico de uma das sries mais bem-sucedidas das telas
Mariana Brugger

Ao encerrar a trilogia O Senhor dos Anis, em 2003, o diretor neozelands Peter Jackson tirou de funcionamento uma mina de ouro, que lhe rendeu US$ 3 bilhes em dois anos. Passada quase uma dcada e com 14 Oscars na estante, o cineasta est de volta com o aguardado O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, primeiro filme de uma nova trilogia adaptada dos livros do mesmo J.R.R.Tolkien. A superproduo, que estreia na sexta-feira 14, se passa 60 anos antes de O Senhor dos Anis. Ou seja: conta como tudo comeou na chamada Terra Mdia, lugar imaginrio onde os seres humanos convivem com elfos, anes e animais fantsticos. Se pelo enredo a aventura reconquista a legio de fs da srie, pelo lado inovador promete aumentar ainda mais esse contingente: os longas foram rodados em 48 quadros por segundo no lugar dos tradicionais 24.  a primeira vez que um grande filme  feito dessa maneira, e isso significa que as imagens sero mais belas e realistas, aproximando-se da forma como o olho humano v o mundo.
 
Baseado no livro homnimo, O Hobbit conta como Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), tio de Frodo, protagonista da antiga saga, toma posse do precioso anel de Gollum (Andy Serkis) durante uma misso para retomar o reino dos anes. Por tratar-se de um prembulo de O Senhor dos Anis, a produo manteve a mesma linguagem e os mesmos elementos do universo mitolgico anterior. Algumas peas do cenrio foram reaproveitadas. No so mundos separados, apesar de eles terem personagens novos. So basicamente seis filmes, diz Sirkis. A revoluo tecnolgica, no entanto, ser a principal marca da nova trilogia. Peter Jackson sempre alia uma boa histria com inovao. Rodar em 48 quadros permite que o espectador perceba mais detalhes e sinta a histria de forma mais impactante, diz Marcelo Taranto, cineasta e professor do curso de Cinema da PUC-Rio.

NOVO HERI - Martin Freeman como Bilbo Bolseiro em "O Hobbit": protagonista da aventura desdobrada em trs longas-metragens
 
Mesmo com esses trunfos, o caminho at a estreia no foi fcil. O incio das filmagens, por exemplo, foi retardado em um ano devido  desistncia do diretor Guillermo del Toro. Pouco antes de estrear, os herdeiros de Tolkien entraram com um processo no valor de US$ 80 milhes contra a Warner Bros: alegaram que o estdio est comercializando jogos eletrnicos que no estavam previstos no contrato. Alm disso, ambientalistas denunciaram que 27 animais foram mortos nas filmagens. Como sempre acontece com blockbusters, so contratempos que terminam por promover ainda mais o filme.


5. EM CARTAZ  SHOW - UMA DIVA EM EVOLUO
Saudada como uma intrprete de jazz ao se lanar h dez anos, a cantora americana Norah Jones podertia ter estacionado nesse rtulo confortvel  seu CD de estreia vendeu dez milhes de cpias, um fenmeno diante do avano dos downloads digitais. Ela, contudo, no se acomodou. No disco seguinte flertou com o soul e o folk e na sequncia incorporou o country ao seu estilo cool. Na turn que traz ao Brasil a partir da quinta-feira 12,  outra Norah Jones a que se assistir nos palcos de Porto Alegre, Rio e So Paulo: a cantora vai pelos experimentalismos do hip-hop, aventura proporcionada pelo produtor de seu mais recente CD, Danger Mouse, conhecido pelas parcerias com Cee-lo Green e Beck. No tenho a menor vontade de fazer o mesmo tipo de lbum ano a ano, disse Norah ao lanar o disco Little Broken Hearts, que fornece a maior parte das canes do show.
 
+5 projetos paralelos de Norah Jones
My Blue Berry Nights (FOTO)
 Norah protagonizou esse filme do diretor chins Wong Kar-Wai, sobre uma mulher abandonada pelo namorado
 
Rome 
A cantora participa de trs faixas desse CD do produtor Danger Mouse e do compositor italiano Danielli Lupi
 
The Little Willies
 Banda formada em 2003 e voltada para a country music, tendo gravado canes de Willie Nelson e Hank Williams
 
El Madmo
 Norah usa o pseudnimo de Maddie nesse grupo de rock formado em 2008, que lanou um CD por selo independente
 
Here We Go Again
 Disco tributo a Ray Charles feito pela cantora em parceria com o trumpetista Wynton Marsalis e o cantor Willie Nelson


6. EM CARTAZ  LIVROS - ANOS DE CHUMBO NO RECIFE
Passado no Recife durante os anos da ditadura militar, Estive L Fora (Alfaguara), novo romance do escritor cearense Ronaldo Correa de Brito, segue a trajetria de Cirilo, um estudante de medicina cujo irmo, lder estudantil, se encontra desaparecido. Esse  apenas um dos fios narrativos da trama densa criada pelo autor do premiado Galileia, que evoca os tempos sombrios da represso poltica e como eles afetaram profundamente a vida das pessoas.


7. EM CARTAZ  DVD - CLSSICO NATALINO
Milhares de filmes tratam do Natal, mas poucos se aprofundaram tanto no sentido dessa festividade como Fanny e Alexander, de Ingmar Bergman, que sai em edio definitiva: traz a verso original de trs horas e a sua edio em formato de minissrie. A ao transcorre no incio do sculo XX e acompanha a trajetria dos garotos Fanny e Alexander, que passam a viver sob a disciplina de um padrasto protestante. As cenas natalinas, marcadas pelo congraamento familiar e pela joie de vivre, abrem a obra monumental, acompanhada tambm do documentrio das filmagens.  


8. EM CARTAZ  CINEMA - O COZINHO DO GNGSTER
Misture-se a ao de Onze Homens e Um Segredo e as piadas incorretas de Se Beber, No Case e se ter ideia da comdia Sete Psicopatas e um Shih Tzu, em cartaz na sexta-feira 14. Centrado em uma turma de amigos amalucados, o filme conta a histria de Marty (Colin Farrell), um roteirista que se envolve com perigosos bandidos de Los Angeles aps seus parceiros terem sequestrado o cachorro de um gngster. Em meio ao elenco afinado, Woody Harrelson surpreende interpretanto o excntrico mafioso Charlie, desconsolado pela perda de seu melhor amigo, o co Shih Tzu.  


9. EM CARTAZ  MSICA - NAO BEN JOR
Alm de desenvolverem projetos solos e acompanharem artistas de primeira grandeza como Marisa Monte, os msicos da banda Nao Zumbi ainda encontram tempo para se dedicar a um grupo paralelo muito especial, Los Sebozos Postizos  especial porque uma de suas caractersticas  se dedicar ao repertrio de Jorge Ben Jor, como acontece agora com o CD que leva o nome da banda. Jorge Du Peixe (voz), Lcio Maia (guitarra), Dengue (baixo) e Pupillo (bateria) mostram 14 verses de composies feitas por Ben Jor no perodo entre seu primeiro LP, Samba Esquema Novo, de 1963 (de onde saiu Rosa, Menina Rosa) e o histrico Tbua de Esmeralda, de 1974, com O Homem da Gravata Florida. Participaes especiais como a do trumpetista Guizado do ao trabalho uma roupagem mais moderna, mas sem perder o sungue do msico carioca.


10 . EM CARTAZ  AGENDA - ESTA CRIANA/PETER WATKINS/DESTINO SO PAULO 
Conhea os destaques da semana
ESTA CRIANA 
 (CCBB, Rio de Janeiro, at 27/1/2013)
 Renata Sorrah encabea o elenco dessa pea do francs Joel Pommerat, que trata das relaes familiares em dez cenas curtas
 
PETER WATKINS
 (Caixa Cultural, So Paulo, at 16/12)
 Mostra com dez filmes do cineasta ingls, entre eles Punishment Park. Watkins  considerado um dos pioneiros do estilo que reconstitui fatos reais com a utilizao de atores
 
DESTINO SO PAULO 
 (Canal a cabo HBO)
 Srie em seis episdios sobre a vida de imigrantes estrangeiros na capital paulista. A produo  da O2 Filmes, de Fernando Meirelles


11. ARTES VISUAIS - MORANDI ILUMINADO
Conhecido pelas naturezas-mortas com garrafas, o italiano Giorgio Morandi ganha retrospectiva em Porto Alegre, onde se revela um pintor fascinado pela luz
Nina Gazire

 MAESTRIA - "Natureza Morta" (acima) de 1919 e Giorgio Morandi (abaixo) em 1960

Durante anos, o italiano Giorgio Morandi (1890-1964) teve na vista da janela de sua casa, localizada na rua Fondazza, em Bolonha, a sua maior inspirao. Foram repetidas as vezes que o pintor retratou a paisagem que dali mirava, mas o que mais o fascinava no cenrio era a luz: imanncia imprescindvel para que o artista criasse sua paleta de cores pastel, que, para alm de suas naturezas-mortas com garrafas, se tornou sua marca registrada. E, para que a luz fosse perfeita, Morandi organizava seu ateli com um rigor espartano e minimalista, posicionando cada mvel e ferramenta de trabalho como um caador se preparando para capturar uma presa rara. Morandi era extremamente metdico, para ele a realidade era transcendida pela observao e tal realidade nunca esteve alm da aparncia das coisas, explica Lorenza Selleri, curadora da mostra Giorgio Morandi no Brasil, em cartaz na Fundao Iber Camargo, e tambm a responsvel pelo arquivo do Centro de Estudos Giorgio Morandi do Museo Morandi, que cuida do esplio do artista.
 
Em vida, esse pintor, cujas pinceladas nunca registraram uma figura humana, foi retratado pelos mais clebres fotgrafos, dentre eles seu renomado compatriota, Luigi Ghirri, que fotografou o ateli logo aps sua morte, em 1964. Ampliadas em grandes dimenses, as trs fotografias de Ghirri que reproduzem o ambiente de trabalho de Morandi so o ponto final e de suma importncia para se compreender a exposio indita que traz ao Pas 55 obras do pintor italiano. Do incio da carreira do artista, que se associou brevemente ao movimento da pintura metafsica, liderado por Giorgio de Chirico, trs naturezas-mortas produzidas entre 1919 e 1921 do o ponto de partida na mostra, organizada de maneira cronolgica. Dado o percurso do pintor, apesar de suas pinturas buscarem certo abstracionismo da realidade, ele esteve mais prximo de uma pintura existencial do que metafsica, comenta Lorenza.

ESTILO - Pintura da fase madura de Morandi, de cores pastel e opacas
 
A principal evidncia do existencialismo de Morandi est nas pinturas realizadas durante o perodo da Segunda Guerra Mundial. Embora tenha sido um admirador profundo de Pablo Picasso, ao contrrio do espanhol que expressou sua revolta no marcante e hiperblico Guernica, Morandi se voltou a paisagens pequenas e intimistas, mas de expresso trmula e cores tristes. Foi tambm grande admirador do pintor Paul Czanne. Mas, diferentemente de outros pintores que deixaram suas cidades, pases e lares e migraram para a universal Paris no incio do sculo XX, Morandi s conheceu a capital francesa no final da vida. Talvez por isso seu reconhecimento tenha sido um tanto tardio.

TORMENTO - Durante a Segunda Guerra o pintor se dedicou a paisagens com pinceladas expressivas e de tons mais sombrios
 
O artista marcou profundamente uma grande gerao de pintores brasileiros, entre eles o prprio Iber Camargo, que, em uma mostra paralela organizada pela Fundao Iber Camargo, O Outro na Pintura de Iber Camargo, se mostra influenciado pela arte de Morandi. Alm de um pintor metdico, o artista foi tambm um exmio gravador. Participou de trs Bienais de So Paulo, em 1951, 1953 e 1957, ganhando o Primeiro Prmio de Gravura na edio de 1953. A mostra em Porto Alegre traz agora 15 gravuras dessa srie premiada. Outro destaque  a recriao da Sala Especial que o artista ganhou na Bienal de So Paulo, de 1957, que deu a ele o Grand Prix de Pintura. A exposio traz trs pinturas que Morandi apresentaria naquela edio da Bienal, mas cujos emprstimos foram negados pelos proprietrios das obras, na ocasio. Natura Morta (1931), Natura Morta (1955) e Paesaggio con Strada Bianca (1941) mostram o artista em fase amadurecida e de estilo estabelecido. Mesmo tendo lhe dado o prmio, h 55 anos, os brasileiros tero a oportunidade de ver como a Sala Especial teria ficado e compreender toda a evoluo de um dos artistas mais importantes do ltimo sculo, finaliza a curadora que tambm selecionou o documentrio La Polvere di Morandi para completar essa que  a maior retrospectiva do artista j realizada em territrio brasileiro.
 
GIORGIO MORANDI - Giorgio Morandi no Brasil/Fundao Iber Camargo, Porto Alegre at 24/2/2013
 
Foto: Antonio Masotti/Acervo Museo Morandi; Sergio Buono/Licenciado por AUTVIS, 2012 e Cortesia Eni S.P.A. Patrimonio Artistico  Morandi, Giorgio Licenciado por AUTVIS, 2012

